sexta-feira, 6 de março de 2015

PEÕES DO ENSINO

       Já comparei professores a peões, e suspeito que alguns não gostaram disso. Se realmente não gostaram, esqueceram que são da classe trabalhadora. Não é errado comparar mestres a peões. Em Roma, alguns escravos eram professores. Além disso, tantas são as queixas relativas a salário e condições de exercício da profissão, que chega a ser incoerente que um explorado não se reconheça nominalmente como tal. Em outras palavras: É ilógico que um professor explorado não aceite ser chamado de peão por não se identificar (ou por não querer se identificar) com quem trabalha no campo seguindo ordens. Só há lógica nessa recusa quando acha correta a exploração. Já ouvi profissionais que pensam que quem não estudou merece ganhar menos do que eles. Tais profissionais põem a competição acima da colaboração. Nem Paulo Freire os salva.

(Duque de Caxias, em 7/1/2015, no Facebook.)

MODELO DE FAMÍLIA COM CASAIS HOMOSSEXUAIS

       Não defendo a família, e quem acompanha minhas publicações no Facebook sabe que já disse que ideal é a realidade do romance "Admirável mundo novo", em que não há pai nem mãe.  Mas, hoje, é inevitável a formação de famílias nucleares (formadas por pais, mães e filhos).  Um dos modelos "novos" é aquele em que homossexuais criam filhos.  Não defendo este modelo, mas é estupidez atacá-lo com base na premissa de que ele é anormal, não natural e errado por supostamente incentivar a homossexualidade ou o homossexualismo, características de minorias que, para os homofóbicos, põem em xeque a perpetuação da espécie humana.
       Sendo uma instituição, a família nuclear não é estanque: está sujeita às modificações do tempo, tempo esse que testemunhou o direito ao divórcio, outrora visto como destruidor da família (como se o que importasse fosse o casamento, e não a felicidade) e a liberdade das mulheres.  O que define a aceitação da instituição da família não são as regras da natureza, que não depende do ponto de vista de ninguém para que seus componentes, tais como o sol, a lua e a gravidade, sejam aceitos como uma realidade.  O que define a aceitação da família são as normas e os costumes, modificados com o passar do tempo.  São eles o que determina o que é normal.  Portanto, o modelo "certo" de família não é apenas o tradicional, que, infelizmente, é visto como tão natural quanto o sol e a lua.  A prova de que nenhum modelo é natural (embora todos sejam normais dentro de suas respectivas normas) é que existem a bigamia e a poligamia.  "A união homoafetiva", dizem os tolos, "não é natural, e por isso não deve ser permitida legalmente."  Aos que não reconhecem a diferença entre as determinações da natureza e as dos costumes humanos deve ser transmitida a ideia já difundida no Facebook, que se resume nisto: Nunca se viram cães evangélicos ou católicos; portanto, as doutrinas evangélica e católica não são naturais, o que dá margem, dentro da linha de pensamento dos homofóbicos, a que se queira o fim delas.
       Outra contestação muito frágil é a que prega que a única normalidade válida é a dos casais héteros por serem eles a maioria.  Quem assim pensa esquece que nos linchamentos (que, por definição, NÃO pressupõem julgamento nem apuração) também impera a vontade da maioria, vontade essa que pode causar a morte de inocentes.
       É muita burrice dizer que crianças podem se tornar homossexuais por causa dos criadores.  Com efeito: a maioria dos chamados gays foi criada por casais heterossexuais.  Infere-se que não se sustenta o argumento baseado na corrente behaviorista (comportamentalista) da Psicologia (que, aliás, não é a única), usado por Silas Malafaia (para a alegria de fundamentalistas).  Quantas crianças são criadas apenas pela avó e pela mãe (sem homem,portanto)?
       Quanto à perpetuação da espécie, é preciso mostrar a seus defensores que estamos no século XXI, em que a tecnologia garante a continuidade da nossa raça.
       Quem quiser condenar a família nuclear formada com a união homoafetiva, que condene, mas que "saia do armário": que se assuma como alguém homofóbico.  Quem estiver disposto a defender a família terá de suar muito para isso, pois ela, independentemente de seu modelo, é falha, principalmente quando é patriarcal.

(Duque de Caxias, em 5/1/2015, no Facebook.)

PERGUNTAS

       Alguém já imaginou o quão bela seria a vida se ela fosse um filme musical? Já pensaram em cantar todos os dias da mesma forma com que as personagens dos filmes cantam? Não seria a vida muito melhor assim?

PUBLICIDADE PARA QUÊ?

              A raiva que me causam os comerciais do YouTube não é diferente da que as propagandas da televisão e do rádio despertam. É extremamente danosa para a sociedade a publicidade de produtos de grandes empresas. A propaganda não é a alma de nenhum negócio.
       Alguém já se tornou cliente da Oi só por Tatá Werneck falar bem da empresa? Alguém já passou a usufruir dos serviços dela (da empresa) por ver quatro retardados feios e de voz irritante? É lógico que não. O que faz alguém escolher a Oi é a necessidade. Não faz sentido gastar o dinheiro que poderia ser usado para melhorar o serviço (que é ruim) em propaganda.
       Os rios de dinheiro que deságuam nos bolsos de grandes empresas de publicidade devem retornar às empresas contratantes de alguma forma. Para isso, é elevado o preço do que se vende. Sim: o consumidor paga a propaganda, da qual ele não precisa.
Empresas que prestam serviços reconhecidamente ruins, como SuperVia e Ampla, investem em publicidade. Talvez sejam forçadas. Lembro-me de um caso da rede de restaurantes Habib's. Não via muita propaganda, até que um dia um telejornal da Globo divulgou que foi encontrada uma barata em um dos estabelecimentos da rede. Pouco tempo depois passei a ver um comercial. Isso reforça a teoria do escritor Diógenes Magalhães, para quem são chantageadas as empresas que não investem em propaganda.
       Uma vez que a imprensa depende do dinheiro de comerciais, não pode ela denunciar irregularidades de empresas que gastam fortunas em propagandas difundidas por jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão. Esse fato desmente o mito da liberdade de imprensa.
       Se dermos crédito ao supracitado escritor, admitiremos que nem a propaganda ideológica de regimes totalitaristas (não me refiro à doutrinação),com cartazes e panfletos, é útil. Se fosse, não haveria guerras, pois todos iriam aderir à ideologia sem uso de força.
       Não sei o que se aprende no curso de Marketing (antiga Merceologia), que, até onde sei, não se preocupa apenas com a propaganda, mas também com o desenvolvimento do produto. Contudo, seria muito bom acabar com os comerciais. Deveriam dar lugar a divulgações simples, que não envolvam atores nem histórias fantásticas, que eles custam muito dinheiro, e dinheiro é coisa ausente no bolso de muitos consumidores, principalmente no dos mais pobres. Isso seria o fim das empresas que sugam dinheiro da sociedade. Quanto aos ricos empresários que trabalham com publicidade e propaganda, haverá trabalho para eles: papelão na rua é o que não falta.

       (Duque de Caxias, em 25/12/2014, no Facebook.)
     
       
       

PEQUENO POEMA QUE OS GAROTOS PODRES ESCREVERIAM SE SE INSPIRASSEM EM CRUZ E SOUSA


       
Flatulências flutuam, ferozes, fedorentas, nefastas, e infestam o ar.

(Duque de Caxias, 16/12/2014.)